Sindicato dos Bancários: uma reforma com todo o respeito
Respeito ao passado e às histórias contidas em um marco da arquitetura paulistana, ao mesmo tempo atendendo às necessidades de utilização do espaço. Localizada no Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, a sede do Sindicato dos Bancários empreendeu um grande projeto de reformas em três fases - 2003, 2005 e 2007 - destinado a viabilizar o novo programa funcional da entidade e modernizar suas instalações. O prédio, construído no início do século passado, transformou-se em patrimônio da cidade nos anos 1970, depois de ter vivido dias de glória e decadência. Para capitanear o projeto, foi contratado o Escritório de Arquitetura Denise de Almeida Vanderlinde - que contou com a colaboração da Arquiteta Salette Sobral. Denise sintetiza o desafio: “Adequar um espaço histórico a necessidades contemporâneas, equilibrando o velho e o novo sem descaracterizar o charme do Edifício Martinelli.”


Surpresas no mezanino
Os trabalhos tiveram início no saguão do piso térreo, com a recuperação do espaço para instalação da Central de Atendimento e do Café dos Bancários.


Na segunda fase da reforma, o mezanino reservava importantes surpresas: debaixo do gesso foram descobertos diversos afrescos originais, além de colunas e pinturas das paredes laterais em “folhas de ouro”. Cada detalhe revelava a obsessão pelo requinte que levou à falência o Comendador Luigi Martinelli, idealizador do empreendimento e seu principal artífice. Diante do valor histórico dessa descoberta, a diretoria do Sindicato acionou a Cooperativa Habitacional dos Bancários - Bancoop - e ganhou fôlego para investir no restauro das peças, bem como na preservação da atmosfera dos tempos do Comendador. Um trabalho artesanal que demandou tempo e sensibilidade de todos os envolvidos, com destaque para o artista plástico Luis Martin Sarasá, que já assinou importantes projetos de restauro na capital paulistana (Catedral da Sé, Mercado Municipal, Teatro São Pedro).
Valorizar sem aparecer
Denise Vanderlinde relembra: “Praticamente todas as instalações tiveram de ser aparentes, sem possibilidade de embutir qualquer coisa em decorrência da preservação do patrimônio. Isso fez com que a escolha das peças - luminárias principalmente - fosse mais criteriosa. Optamos por soluções discretas, que valorizassem todo o trabalho de restauro.” Toda a iluminação é pendente e aparente, focalizando tanto as áreas de trabalho quanto as referências históricas; a rede elétrica e de informática é distribuída por eletrocalhas e os dutos de ar-condicionado também são aparentes.


O light designer do projeto, Ângelo Acerbi, viu no amplo espaço - 3.200m2 em 3 pavimentos - a possibilidade de realizar um trabalho diferenciado: “Os equipamentos luminotécnicos foram selecionados principalmente em função do seu desempenho, já que as áreas grandes e com pé-direito alto demandavam maior eficiência. Os sistemas Paralelo Horizontal e Vertical, da Altena Plus além de atender este requisito também permitiram o uso simultâneo de iluminação direta e indireta com lâmpadas fluorescentes tubulares de 28W/T5 bem como iluminação de destaque e dirigida com lâmpadas halógenas em baixa tensão AR 111 50W/8º e 24º e dicróicas de 50W/36º. Pudemos então iluminar adequadamente a área de trabalho, ao mesmo tempo destacando os detalhes construtivos do projeto original.”
O resultado é um projeto que fala à memória de quem o visita. Conforto e funcionalidade convivem em harmonia com o passado - e a luz distribui-se estrategicamente, viabilizando as áreas de trabalho e capturando olhares para uma reflexão sobre a cada vez mais relativa perenidade das coisas.
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